make me sense;

trendcoffee:

NaCafeteria: Do silêncio que diz muito
A vontade de falar é maior, mas nem sempre é a hora certa
por Kelson Santos
Nem sempre estamos preparados para abrir nosso coração. São raras as situações que eu contei o que eu sentia e o que esperava daquilo. Esperamos que relacionando-se aos poucos, construindo aos poucos, as coisas vão ficar como queremos um dia.

E nisso, nessa esperança de alcançar o que não dizemos - quando dá certo - acabamos ficando silenciosos. Não dizemos palavras importantes, não declaramos situações deliciosas, não nos comunicamos. Quantos convites já não quisemos fazer, mas por achar que ainda não era hora ou que não daria certo, abdicamos da vontade?
É uma falta de comunicação bastante específica que digo: “a falta do eu te amo, quero mais você aqui do lado”.  O silêncio pode dizer mais do que o dito. A situação normal é que na presença do outro nós emitíssemos sons que formem uma mensagem. No silêncio sentimos o que não está óbvio ao nosso redor. No constrangimento e na sensação de desconforto nos atentamos para as coisas que não são tão declaradamente comunicativas como a voz, ou as palavras. Observamos a linguagem corporal, o olhar, e até a atmosfera. Tudo se torna uma linguagem surda, incutida de significado não aparente. Existe o silêncio de quando estamos bravos, o silêncio de quando estamos ansiosos, o silêncio de quando estamos tristes e o silêncio de quando queremos dizer “Eu te amo”.

Esse silêncio é bem particular, ele não se segura muito tempo, sai na forma de um beijo discreto, de um abraço inesperado, de uma ajuda reveladora. E na verdade é mais gostoso do que o ouvir do mantra que rebate dentro da cabeça. É o silêncio atitude, uma linguagem que qualquer idioma é capaz de falar, que qualquer pessoa é capaz de interpretar.
Quando o “Eu te amo” sai pela nossa boca, de forma genuína e integral - nada de “eu também” -, quando o “EU. TE. AMO.” sai com cada palavra clara e pronunciada, com a certeza de que a mensagem foi transmitida, interceptada e entendida é como também uma declaração assinada de vulnerabilidade, admiração e confiança. Eu te amo na verdade é um: “Aqui estou eu, para você, com você e espero ser feliz”.

Prefiro ouvi-lo só às vezes, para as palavras não perderem essa força. E também porque o silêncio atitude, derivado da ausência de circunstância de dizer essas palavras, é muito mais gostoso de se viver e de se sentir. É aquele olhar tímido, escondido e confiante que desembolsa os melhores dias da vida. 
Cada um tem seu tempo, por isso não vale cobrarmos ouvir uma declaração tão importante. Tem que partir do outro, abertamente falada… ou muda. 

trendcoffee:

NaCafeteria: Do silêncio que diz muito

A vontade de falar é maior, mas nem sempre é a hora certa

por Kelson Santos

Nem sempre estamos preparados para abrir nosso coração. São raras as situações que eu contei o que eu sentia e o que esperava daquilo. Esperamos que relacionando-se aos poucos, construindo aos poucos, as coisas vão ficar como queremos um dia.

O silêncio que diz muito

E nisso, nessa esperança de alcançar o que não dizemos - quando dá certo - acabamos ficando silenciosos. Não dizemos palavras importantes, não declaramos situações deliciosas, não nos comunicamos. Quantos convites já não quisemos fazer, mas por achar que ainda não era hora ou que não daria certo, abdicamos da vontade?

É uma falta de comunicação bastante específica que digo: “a falta do eu te amo, quero mais você aqui do lado”.  O silêncio pode dizer mais do que o dito. A situação normal é que na presença do outro nós emitíssemos sons que formem uma mensagem. No silêncio sentimos o que não está óbvio ao nosso redor. No constrangimento e na sensação de desconforto nos atentamos para as coisas que não são tão declaradamente comunicativas como a voz, ou as palavras. Observamos a linguagem corporal, o olhar, e até a atmosfera. Tudo se torna uma linguagem surda, incutida de significado não aparente. Existe o silêncio de quando estamos bravos, o silêncio de quando estamos ansiosos, o silêncio de quando estamos tristes e o silêncio de quando queremos dizer “Eu te amo”.

O silêncio do eu te amo

Esse silêncio é bem particular, ele não se segura muito tempo, sai na forma de um beijo discreto, de um abraço inesperado, de uma ajuda reveladora. E na verdade é mais gostoso do que o ouvir do mantra que rebate dentro da cabeça. É o silêncio atitude, uma linguagem que qualquer idioma é capaz de falar, que qualquer pessoa é capaz de interpretar.

Quando o “Eu te amo” sai pela nossa boca, de forma genuína e integral - nada de “eu também” -, quando o “EU. TE. AMO.” sai com cada palavra clara e pronunciada, com a certeza de que a mensagem foi transmitida, interceptada e entendida é como também uma declaração assinada de vulnerabilidade, admiração e confiança. Eu te amo na verdade é um: “Aqui estou eu, para você, com você e espero ser feliz”.

Homens dizem eu te amo

Prefiro ouvi-lo só às vezes, para as palavras não perderem essa força. E também porque o silêncio atitude, derivado da ausência de circunstância de dizer essas palavras, é muito mais gostoso de se viver e de se sentir. É aquele olhar tímido, escondido e confiante que desembolsa os melhores dias da vida. 

Cada um tem seu tempo, por isso não vale cobrarmos ouvir uma declaração tão importante. Tem que partir do outro, abertamente falada… ou muda. 

suicideblonde:

Michael Pitt photographed by David Sims for Prada, Spring/Summer 2012